Saindo do exército e dando baixa no jornalismo
No forte do Gragoatá, procurei o capitão Gilberto Guedes, filho do general Aloísio, que era comandante do exército e tio do Edigar, casado com a prima Lúcia. Quando falei com o major médico Andrade, ele me despensou junto com vários amigos da política estudantil de servir no exército. Meses depois o Gilberto, ao estacionar o carro em frente à 77ª Delegacia de Niterói, foi preso pelo delegado Bellot, que lhe chamou de capitão de araque. Ao saber do ocorrido, seu tio invadiu com caminhões da polícia do exército a delegacia e soltou o capitão e todos os presos, levando o valente delegado para a prisão militar do forte Santa Cruz, onde ficou vários dias. Deixando o presídio, Bellot em uma atitude insólida, deu para carimbar as pernas das moças que iam na praia, tendo como punição o afastamento das suas atividades policiais por meses. Na CR o amigo civil Jorge De Almeida, querido pela 2ª seção do exército e sendo também secretário do deputado Márcio Macedo, do partido de oposição MDD, conseguia dispensar à pedidos vários jovens do serviço militar. Era uma prática legal dentro do excesso de quantingentes. Certa vez o major Andrade foi no jornal A Tribuna e lhe pediu para denunciar erros na área médica de Macaé, através de um artigo que assinei. Nesta época existia a rádio Difusora na praia das Flechas e rádio Federal no Centro. Na associação fluminence de jornalistas, o jornalista ílvio Fonseca, meu padrinho e à favor do golpe, permitia que nós fizéssemos reuniões políticas contra o governo e pesquisas. O jornalista Paulo Frances era detestado tanto pela direita como pela esquerda e todos gostaram quando nos EUA, a máfia lhe enviou um peixe morto de presente, impondo o silêncio mafioso nele. O Ziraldo era respeitado, bem como o jornal O Pasquim. Porém, é interressante o fato dele não gostar de crianças e escrever o Menino Maluquinho e receber indenização política na abertura como se fosse sido muito prejudicado. Sebastionelli da Tribuna Da Imprensa e todos os presidentes da ABI, em especial o Barbosa Lima, eram nossos ídolos. Quando começaram certos diretores de jornais à publicar anúncios não autorizados e cobrados, bem como à publicar poucos exemplares para receber o anúncio no, caso autorizado, muitos trocaram de jornais. Quando me pediram para, com uma talão de recibos, cobrar dos vereadores pronunciamentos para publicar, larguei o jornalismo e fui estudar História. Não me registrei como repórter porque me enrolaram. Na associação Fluminesce De Jornalistas, praticamente leiloada por questões trabalhistas, não consegui meu ingresso e nunca me responderam aos escritos enviados. Faço estes registros para que se saiba que em Niterói, no início do golpe, fazíamos jornalismo por ideal e não aceitávamos imprensa marrom.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário