Cadernos Do Povo

A coleção de cadernos chamados "Cadernos Do Povo" eram uma das bases nas quais as esquerdas e os reformistas se inspiravam. Temas como nacionalização da indústria farmacêutica, remessas de lucros, estatização bancária e do ensino eram abordadas nestes livros. Podemos dizer que Leonel Brizola, quando governador do Rio Grande Do Sul antes do golpe e do Estado Do Rio na abertura futura, aplicou em termos as idéias socialistas pregadas nos cadernos do povo. A estatização do ensino ou pelo menos o congelamento das anuidades escolares eram umas das metas das lideranças do governo deposto.
No início da década de 70, assistimos a um patrulhamento ideológico da chamada esquerda musical, o radialista César De Alencar e o cantor Wilson Simonal foram acusados de mancumunar com a ditadura militar. Este último praticamente morreu desprezado por uma elite que via o proletariado com certa superioridade. Na faculdade de história em Niterói, onde o estudante Jackeson morreu numa sala de aula abatido à bala por elementos encapusados ao lecionar, uns cadernos do povo eram vendidos clandestinamente e as atitudes praticadas pelos patruleiros ideológicos eram condenados pelos mais moderados. Da praçinha do Cinema Icaraí, éramos atualizados com os últimos acontecimentos, pois lá em frente ao restaurante Le Petit Paris do simpático e socialista judeu Jonas, morto num atentado á bomba na Argélia, nos reunimos e ficávamos à par dos últimos acontecimentos. De lá, partiram algumas pessoas para lutar na guerrilha da Serra Do Caparaó, sob a inspiração dos ideais brizolistas. Estas pessoas nunca mais voltaram e a guerrilha da Serra Do Caparaó parece ter caído no esquecimento dos historiadores, que dão razão aos estudos da guerrilha do Araguaia, que realmente foi mais demorada, bem-montada e estruturada do que a de Caparaó. Embora um de seus líderes e político ecológico atuante e sequestrador de embaixadores estrangeiros em troca de reféns presos pelos torturadores não tenha explicado ou se defendido da acusação de covarde por parte de um jornalista de direita do jornal A Tribuna Da Emprensa, que sob a direção de Hélio Fernandes, várias vezes preso por combater a ditadura, de que pediu emprestado á amigos um apartamento e uma Kombi, sem os avisar que servira de local de encontro e transporte para a guerrilha urbana sequestrar o embaixador. Seus amigos foram presos pelos órgãos de segurança e ''pagaram o pato" pelo o que não fizeram segundo o jornalista Adilson De Barros. Este guerrilheiro também dava o se apoio a guerrilha do Araguaia em certa época.

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