Os partidos estudantis, as lideranças castradas e o sistema prisional

Em Niterói os partidos políticos estudantis eram fortes, na federação dos estudantes secundários de Niterói, era presidente Emanuel Sader, que fazia ótima administração, inclusive os estudantes pagavam meia passagem em ônibus estaduais que já cobravam um preço bem abaixo dos particulares. Existia a URE (União Renovadora Estudantil), presidida pelo líder Aires de Ataíde Vermelinger Barbosa, que tinha forte influência na UBES ( União Brasileira Dos Estudantes Secundários), dirigida por Luís Sérgio Rosa Lopes, muito ligado ao presidente da UFE (União Fluminense Estudantil), de nível universitário, sob a administração do futuro deputado católico, José Augusto Pereira Das Neves, que foi posteriormente caçado no Ato Institucional nº5. As sedes dos partidos estudantis, que elegiam representantes nas escolas, ficavam na sua maioria no centro de Niterói, na Praça Do Rink, em prédio também ocupado pelo Partido Comunista Brasileiro.
Todos se uniram em uma greve pelo congelamento das anuidades escolares, porém, no Colégio Plínio Leite, um dos líderes educacionais da revolução, não se pode sequer tentar, pois apesar da ajuda dos operários navais, os estudantes foram intimidados por pessoas fortemente armadas.
Com o golpe militar, as lideranças niteroienses ou foram presas, ou simplesmente desapareceram, isto de um modo geral, sem falar naqueles que nunca mais quiseram participar da política, como o Aires e o José Augusto. Era uma época em que se comentava que os órgãos civis de informações, através do DOPS, incineravam os corpos dos militantes mortos nas salas de tortura em fornos de imprensas, cujo proprietários eram simpatizantes do golpe.

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