Proprietário do jornal semanal Correio Fluminense e presidente da Associação Fluminense de Jornalistas, Sílvio Fonseca, embora à favor no início do golpe de 1964, era meu padrinho como sócio colaborador da citada associação. Era amigo e liberal para com os estudantes oposicionistas do governo, permitindo que os mesmos usassem as dependências da associação, localizada na sobreloja do Palácio dos Jornalistas, para fazerem reuniões, seminários e estudos políticos para encontrarem formas de combater as prisões e torturas aqui realizadas. Pai do escritor Silvão Paezo, o mesmo era injustamente acusado por um grupo da esquerda jornalística de Niterói como reacionário. Devido ao fato de permitir nossos encontros nas excelentes dependências do citado órgão que tinha teatro, biblioteca e restaurante, o "velho dinossauro" recebeu até ameaças telefônicas por dar cobertura à jovens rebeldes. Porém nunca se intimidou e sempre permitiu a presença de grupos de estudo. Em uma dessas reuniões, alunos de História descobriram que na Guerra do Paraguai, a população negra niteroiense diminuiu muito por que foram lutar e os escravos tiveram que ser substituídos por outros vindos de outras cidades vizinhas. Também soubemos por internet, do desaparecimento do chamado "Franklin", simpatizante do NR8 e que na Região Oceânica de Niterói, existiam locais clandestinos onde agentes do DOPS e grupos para-militares levavam presos "políticos" de famílias abastadas para depois chantagearem as mesmas para futura soltura.
O jornalista Sílvio Fonseca nunca nos perguntou ou jogou indiretas para saber dos assuntos lá tratados, e simpatizava muito com as crônicas e sátiras políticas do Sérgio Porto, publicadas nos famosos livros chamados de "Festivais de Besteiras que assolam o país (FBAPAS)". Sempre manteve suas posições políticas, foi coerente e não "virou a casaca", como muitos colegas que aderiram ao regime militar em troca de interesses escusos fizeram. Não se via na Associação de Jornalistas na sua época, os famosos "dedo-duros" que lá frequentavam com a frequência com que o faziam nas redações dos jornais niteroiense da época, pois sabiam que o mesmo não era de se intimidar.
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